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domingo, 30 de setembro de 2018

GOL… O Grande Momento do Botãobol

Eden Hazard

Giroud e Hazard comemoram gol marcado na Premier League (foto: ghanasoccernet.com)

Imagine você, caro leitor, um clássico em pleno Maracanã, envolvendo as duas maiores torcidas do Brasil, FLAMENGO e CORÍNTHIANS. Evidentemente que a torcida rubro-negra, por jogar em casa, estaria em bem maior número, porém, a massa corinthiana também se faz presente a ponto de quase equilibrar as forças nas arquinbancadas. Imagine ainda que logo aos 5 minutos de jogo, PAQUETÁ (fazendo referência ao elenco atual) acerta um chutaço da entrada da área, na gaveta esquerda de Cássio, estufando as redes corinthianas…GOLAÇOOOOOOOOO… narra o locutor no rádio… mas, na torcida, um silencio sepulcral é sentido em todo estádio, dando até para ouvir o “CRI…CRI…CRI…” dos grilos no gramado. PAQUETÁ, por sua vez, apenas abaixa a cabeça e retorna ao centro do gramado para o reinicio do jogo e no banco de reservas, técnico e comissão técnica sequer aplaude a pintura de gol marcado… que frieza e falta de espírito esportista nesta cena… e sabem por que todo esse assombroso silêncio? Meramente para “não desrespeitar a torcida adversária e o time oponente com o grito de gol e a comemoração pelo golaço marcado!”

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É, caro leitor, uma esdruxula e absurda situação a qual sabemos que não faz parte do quadro fascinante, empolgante e entusiasmente do futebol, sendo em qualquer pedaço de mapa perdido pelo mundo afora, jogado, suado e comemorado igualmente no mundo inteiro. E sobretudo, porque jamais será um gesto de desrespeito ao adversário, comemorar numa explosão de alegria, o gol marcado.

Mas… e no Botãobol, é proibido ou é permitido o grito de gol e toda a sua comemoração após o balanço das redes?

Pois bem, amigos, se o gol é o momento auge de uma partida, o objetivo máximo dos 22 jogadores dispostos no gramado, a razão pela qual o seu time entra em campo para, através dele, alcançar a vitória e posteriormente o título da competição, evidentemente que COMEMORAR é tranquilamente natural e seguramente correto que aconteça.

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Cruzeiro, homenageando a Associação de Futebol de Mesa de Caxias do Sul – RS, armando jogada para Overath anotar mais um

Evidentemente, entre tantos botonistas, existem aqueles que pouco comemoram quando anotam um tento. Outros, porém, com grande estusiasmo, bradam o nome do botão ou proferem algum bordão típico dos locutores que marcaram época, ou ainda, criam algum bordão característico de sua própria identidade, como é o caso do LINDO, LINDO, LINDO… do nosso Albertinho, do VILA BELMIRO, ou ainda como vimos no vídeo na última matéria aqui postada, o OVERATH, OVERATH, OVERATH, do nosso querido Marcos Cardoso e seu CRUZEIRO indomável.

Chelsea FC; Chelsea de Botão

Timaço do Chelsea Button Ball… Muitos golaços bradados nos campos da APFM

Já este blogueiro e o seu Chelsea Button Ball costuma bradar em alta voz, não apenas o nome do botão goleador, mas também uma variedade de expressões, dando a entender a comemoração de um locutor ao narrar a “pintura de gol marcado pelo Cheeeeeeeeeeeeeelseeeeeeeeeeea! É a explosão da despretenciosa alegria ao marcar um belíssimo gol.

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Momentos de tensão que antecedem o arremate… depois, é só explosão, alegria e festa!

Não dá, absolutamente, para imaginar a sala Brasília, sede onde reina a bola de borracha, completamente pragmática e inerte às jogadas e grandes lances ocorridos dentro dos campos, sobretudo por se tratar de uma regra visivelmente mais dificil de ser disputada, regra que exige habilidades especiais, que premia quem de fato é jogador de botão e castiga os que possuem pouco ou quase nenhum jeito para palhetar na regra. Não se imagina que numa partida duríssima, após execusão de fenomenal jogada, não haja um movimento de espírito por parte daqueles que disputam as partidas, no sentido de extravazar a alegria e o entusiasmo pelos belíssimos gols que a regra proporciona vivenciar. Pobres e infelizes são aqueles que, em vão, buscam algo no Botãobol…

Diante do curto resumo que fizemos sobre o GRITO DE GOL que se ouve bradar em qualquer jogo do Botãobol, fica clara a indicação permissiva para que cada um comemore do jeito que a inspiração e o entusiasmo lhes movam.

Chelsea brada, berra e vibra com os golaços marcados

E para coroar a presente matéria, o Chelsea de Botão volta a disponibilizar o vídeo da VIRADA DO CHELSEA, contra o Fluminense, de Flavio AFA, num jogo eletrizante, de vitória suada e carissimamente vendida pelo tricolor de Jardim Brasil. Vejam a alegria dos Blues, em cada tento marcado, sempre bradando seus gols sem nenhuma ameaça de desrespeito ou sequer um leve transparecer de afronta ao adversário, a quem aliás, mando um forte e saudoso abraço amigo.

E a título de aviso aos que não suportam os brados de gols dos Blues, aconselhamos utilizar protetores auriculares nos próximos jogos, pois, os próximos gols do Chelsea Botãobol serão bradados com tal força, que os quarteirões vizinhos saberão de quem foi o gol marcado nos campos do Botãobol… com direito a Charanga tocando frevo e tudo o mais. Comemoramos sim,  porque fazer gols no Botãobol é para quem é botonista, e não para quem quer…!

Viva o Botão!

Salve o Botãobol!

Hugo Alexandre – CHELSEA FCampeoníssimo

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A INCRÍVEL IDEIA DE REGISTRAR BOTÕES


Em tempos de preparação, onde os times vão se ajustando para a maratona em cada início de ano, ou mesmo antes de cada competição, é muito comum que os técnicos de cada time apareçam nos campos da Associação, trazendo novos times, de confecção recente, feita por César "Labilasca" ou algum Mestre artesão como nos tempos de Armando Francisco, o grande artista do botão.

Time novos, escudinhos novos, a escalação do time também é novidade. A ansiedade em estrear um time novo é enorme, para qualquer amante do Botãobol. Depois de coloca-lo em campo, em algum amistoso, e dar os primeiros toques na bola, os primeiros chutes à gol, vem logo em mente, uma possibilidade de escala-lo em jogos oficiais, nesse ou naquele torneio, ao longo do ano. Mas, antes de levar essa nova escalação para as súmulas de jogos oficiais, é preciso passar por um etapa um tanto burocrática, para "oficializar" cada time, cada botão em especial e este então tornar-se apto à disputar qualquer competição oficial da Associação. Essa etapa é o REGISTRO DE BOTÕES que se faz necessário e obrigatório, sob pena até de perda dos pontos por parte de uma equipe que escale um botão não cadastrado. Interessantíssimo! 

Conversando com José Hércules Leite, tesoureiro da APFM e responsável pelo arquivo de CADASTRAMENTO DE BOTÕES, contou-nos uma breve história de como surgiu a ideia de se fazer o REGISTRO OFICIAL DOS BOTÕES. Assim contou-nos ele:

Principal time do CHELSEA, registrado em 22/11/08


"Foi uma ideia incrível. 


A Associação Pernambucana de Futebol de Mesa foi fundada em março de 2002, com a aprovação e registro dos Estatutos, quando jogávamos numa sala cedida pelo Santa Cruz Futebol Clube. 

Dessa forma, legalizava-se a regra originária, do Recife, especialmente, do bairro São José e Santo Antônio. Renê César, representante do Bairro Santo Antônio, ainda jogando conosco, contava causos e causos. 

Já se estudava e se pesquisava dados para elaborar o Regimento Interno, quando, em dado momento, Armando Francisco da Silva Filho (Armandinho) propôs a criação do registro de botões, com a exigência de que só disputaria competições, o botão que estivesse registrado. Feita a consulta aos associados, eis que todos concordaram. Para o registro, o técnico da equipe teria que declarar: o diâmetro, altura, cores, a cor predominante, o fabricante, a matéria e o nome do botão. Apresentada a proposta, o representante da equipe pagaria R$ 0,10, por cada botão. Com o registro o botão tomaria um número, antecedido de duas letras do nome do Técnico. Ante o registro, os botões ganharam personalidade e passaram a ser conhecidos oficialmente. Criaram-se regras, tanto que, o botão não registrado, que for escalado e jogar numa competição oficial, terminado o jogo, o adversário derrotado fará um protesto no verso da súmula. Será feita uma pesquisa nos arquivos, e se confirmada ilegalidade, a equipe infratora perderá os pontos. É incrível como ocorrem consultas! A criação do registro dos botões foi muito importante para a organização das competições e o efetivo controle das artilharias. Pôs ordem efetivamente. 

O primeiro botão registrado foi DOVAL, que tomou o número AF - 0001, do Santa Cruz, do Técnico Armando Francisco da Silva Filho, que apresentou uma relação com Doval, Aníbal, Osmar, Brito, Leônidas, Givanildo, Pé de Valsa, Morcego, Del Sol, Fischer, Zé Roberto, Belga, Morcego e outros. 

O último botão registrado foi Deco, que tomou o nº FI - 5930, do Fluminense, do técnico Flávio Azevedo. 

Importante é que no botão registrado conste o número do registro na cava inferior. 

Ao representante de uma equipe que solicite o registro de botões, é entregue uma relação com todos os números dos registros efetuados correspondentes aos botões. 

As equipes que mais registraram botões para suas equipes foram: Santa Cruz, de Armando Francisco, com 658 botões; Náutico, de Abiud Ferreira Gomes, com 572 botões; Chelsea, do técnico Hugo Alexandre com 535 botões; O Hércules, do técnico Hércules Leite, com 489 botões. 

Não foi levantado o número de equipes que registraram botões, mas, há uma previsão de mais de 60 equipes".

Dados enviados por José Hércules Leite,
Diretor/Tesoureiro da APFM.

Bela História contada por Hércules! Fica aqui então registrado, não apenas os nomes de cada botão nos arquivos da APFM, mas também nas páginas de CHELSEA FC e o Mundo do Botão, mais um capítulo da longa e bela história do futebol de botão pernambucano, de uma das mais belas e fantástica regra do futebol de mesa do Brasil, O Botãobol.

Saudoso abraço!

Hugo Alexandre - CHELSEA FCampeoníssimo


terça-feira, 16 de novembro de 2010

Padre ou Pádua ?

Momento do PADRE ou PÁDUA. Qualquer um dos azuis pode chutar !


Desde sua origem, o Botãobol veio formando sua própria personalidade, ao longo de tantos e tantos anos, palhetado por dezenas de grandes botonistas que fizeram (e fazem) diretamente a história do futebol de botão. Em longos anos vividos, com certeza, muitas histórias podem ser contadas pelos que viveram o início do Botãobol e as gerações recentes da Bola de Borracha, se fazem curiosas em saber esses fatos que marcaram e deram a cara que o Botãobol tem hoje.
Na riqueza e beleza de suas jogadas, seus lances possuem, em sua maioria, vocábulos próprios, fruto de situações reais acontecidas em partidas de outrora, que deram origem a termos usados até os dias de hoje e que perpetuarão pelos anos vindouros. É o caso que contaremos a seguir:

Em várias situações de gol, pode acontecer da bola, ao ser executada uma determinada jogada, fique pronta para chute por um ou dois botões, podendo ser arrematada por qualquer um deles, cabendo ao técnico escolher o que melhor convier. Nesses lances, é comum se ouvir: "PADRE ou PÁDUA" ! Quem pratica o Botãobol, sabe que o chute será com um ou outro botão. Claro que haverá o aviso de qual botão executará o chute, porém, de onde veio esse termo ?

É então que recorro ao veterano Abiud Gomes, que outrora, em seu blog A MARRETA, contou-nos a seguinte história:

O Grande CHICO BARBOSA, num momento de arremate à gol !


Eis mais uma historinha do mundo do futebol de mesa. O fato ocorreu no século passado, mais precisamente na década de 50, na rua Montevidéu, palco de grandes acontecimentos mesafutebolísticos. Era a época romântica do futebol de botões, jogado em terraços, quintais e garagens. As personagens, todas amigas, alguns até com certo grau de parentesco. O que se via naquela fase de ouro era apenas uma rivalidade, porém, sem rancores. Após as batalhas, reinava um clima de paz e tranqüilidade. Alguns lamentos, é verdade, que depois se diluíam com facilidade e, então, novas pelejas já estavam se realizando. Assim era a vida esportiva na garagem do saudoso Aldiro Santos, um dos maiores botonistas do Recife e adepto da regra de celotex da Boa Vista, atual regra pernambucana de futebol de mesa, que adota a bola de borracha e um toque com cada botão, hoje, limitado a doze toques. Corria o campeonato e o encontro entre Montevidéu x Boca Juniors era aguardado com ansiedade. Pelo lado do Monte, dono do campo, seu treinador Aldiro tinha passado a semana toda se preparando para o grande embate. Do lado do Boca, Chico Barbosa confiava na precisão de seus chutes de longa distância, principalmente quando eram feitos pelo seu melhor atacante, o craque mais cobiçado da Liga, Sívori, um dos artilheiros da competição. Chega o grande dia e a platéia se posiciona para ver o embate mais aguardado daquele campeonato. Arlindo Vilaça, hoje também no Paraíso, assume a arbitragem da partida. Jogo nervoso, com muitas imperfeições e o primeiro tempo com duração de 20 minutos se escoando e nada do goal aparecer. Vem a segunda etapa e quando tudo parecia que o confronto terminaria empatado, eis que uma bola é lançada pelo Montevidéu e pára, exatamente na entrada da área, onde dois botões estavam em posição de arremate. Um arriscando o ângulo direito do goleiro e o outro com a mira no ângulo oposto. Sai da boca de Aldiro o clássico sinal de chute: lá, com Padre! Prontamente, Chico Barbosa posiciona o goleiro, fechando mais o ângulo direito e após o indefectível “pronto”, fica esperando o desfecho do lance. Aldiro então disposto no lado direito da mesa, dá uma volta no campo e se coloca no outro lado e chuta no ângulo esquerdo e marca o gol que lhe daria o título. Chico Barbosa, surpreso, indaga: você mandou colocar para o chute de Padre, mas quem chutou foi Pádua, pois todo mundo sabe que Padre é o botão preto, enquanto que Pádua é cinza! E, aí, como é que fica, Vilaça? Aldiro, então, mostrando todas a sua raposice, dando uma tragada profunda no cigarro, contesta: não, senhor! Padre agora é o cinza. Pode ver o nome grafado embaixo do botão. Ontem à noite eu fiz a troca! Revoltado, Chico retira-se de campo e Aldiro comemora o título de campeão. De resto, o que se sabe é que o episódio, toda vez que é lembrado causa um certo constrangimento no grande amigão Chico Barbosa, mas, a jogada caiu no folclore do botão e, hoje, em quase todas as partidas que são realizadas, quando uma equipe tenta um lançamento, onde haja dois botões para receber a bola em condições de arrematar a gol, é comum ouvir-se: Padre ou Pádua?

Publicado em A MARRETA ( www.abiud.blogspot.com ) em 06 de fevereiro de 2007, 
por Abiud Ferreira Gomes


Pois é, minha gente !  Com certeza, os dois grandes botonistas que protagonizaram a história,  não imaginavam que estariam escrevendo um capítulo pitoresquíssimo do futebol de botão pernambucano e que partindo dali, seus botões batizariam esta jogada, da até então REGRA PERNAMBUCANA, criando assim o folclore da Bola de Borracha !

Muitas outras histórias ainda existem, mas só com a ajuda destes veteranos de guerra, que viveram o nascimento da nossa regra, poderão contar com detalhes e passar para as gerações futuras, as raízes do MUNDO DO BOTÃO !!!

Abraços,

Hugo Alexandre - CHELSEA FCampeoníssimo